quarta-feira, 27 de julho de 2016

Máscaras de hipocrisia — Santana Castilho



Os professores são uma comunidade objectivamente esmagada por políticas e acordos, uns expressos, outros implícitos, entre PS e PSD. Vítimas de mitos sobre a qualidade da Educação, alvos de mentiras cuidadosamente fabricadas pelo politicamente correcto, a maioria trabalha no duro e não tem voz. Os problemas que encaram há mais de uma década não se resolverão com os mesmos que sempre os apontaram como a causa de todos os males. Assim fez o PS de Sócrates, assim continuou o PSD de Passos, assim, disfarçadamente, retoma o PS de Costa.
Nascem constantemente estudos, baterias selectivas de dados estatísticos e observatórios para os interpretar segundo os interesses dos donos. No início deste mês, disseram-nos que em 2014/2015 reprovaram menos 37.000 alunos que no ano passado. E que em 2013/2014 já tinham reprovado menos que em 2012/2013. Mas, e isto é a estatística, as melhorias, aparentemente favoráveis a Nuno Crato, têm por referência os números de 2012/2013 (o segundo ano do seu ministério), que foram os piores da década anterior. Assim, os valores de hoje (9,7% de retenções), que Crato implicitamente aplaudiu como fruto das suas políticas (longa entrevista ao DN de 17/7/16), são piores que os 7,5% que recebeu, no fim de 2010/2011, quando entrou. Como diria o inefável comentador Marcelo, uma coisa é a melhoria da subida das retenções, outra, bem diferente, é a melhoria da descida das retenções.
Conhecidos os resultados dos exames, que temos? No 9.º ano, tomando o ano passado por referência, a taxa de reprovações subiu em Matemática e baixou em Português e as notas desceram em ambas as disciplinas (falando de médias, descida de 48% para 47% em Matemática e de 58% para 57% em Português). A junção dos resultados dos exames (que contam 30% para a classificação final) aos resultados das classificações de cada uma das escolas deu 8% de resultados negativos a Português (10% no ano passado) e 34% a Matemática (32% no ano passado).
No ensino secundário, as médias das notas dos exames desceram ligeiramente em Português e Matemática e subiram em Geologia, Física e Química e Biologia. Quanto a reprovações, em Matemática subiram quatro pontos percentuais (15%) e em Português um (7%). Sobre isto, que disse o ministro? Que existem “correlações positivas bastante acentuadas entre as classificações internas atribuídas pelas escolas e as classificações obtidas pelos alunos nas provas finais de Português e de Matemática, respetivamente, muito semelhantes ao ano transato”. Faltou-lhe, e é grave que tenha faltado, ressalvar que são coisas diferentes: a classificação interna considera domínios que não são vistos nem achados nos resultados das classificações externas.
Este contexto tem sido pano de fundo para um recente teatro de sombras, onde os figurantes usam, sem pudor, máscaras de hipocrisia. A primeira cobriu o rosto de Nuno Crato, na entrevista supracitada, quando rejeitou a manipulação da realidade “eliminando avaliações, ou baixando o nível dos exames e das provas”. Ele que, via ensino vocacional precoce, retirou 28.000 alunos problemáticos do ensino regular, logo dos exames e das estatísticas em análise! A segunda máscara assentou que nem uma luva em Maria de Lurdes Rodrigues, que teve o topete de criticar (Público de 15/7/16) o comportamento do seu sucessor, como se ela não tivesse feito idêntica limpeza das pautas com os CEF (Cursos de Educação e Formação).
O terceiro lugar no pódio da hipocrisia pertence a Hélder de Sousa, o patusco ex-diácono dos exames. Foi grotesco vê-lo defender as provas de aferição, com igual convicção e a mesma coluna mole. Só a hipocrisia levada ao extremo pode chamar individuais a relatórios obtidos em massa, mediante um programa informático que distribui pelos alunos frases previamente construídas em “eduquês” reabilitado. Como se a avaliação das aprendizagens, essa sim, individualizada, não fosse feita pelos professores, dia a dia e não numa só prova. Como se os professores não fossem suficientemente competentes para identificar e comunicar, ao longo do ano, as dificuldades dos alunos. Como se não tivéssemos já uma inflação de relatórios produzidos na escola. Como se esta manobra de propaganda barata, feita a propósito de provas desacreditadas e sem continuidade, pudesse ter alguma utilidade.
E assim chegamos ao progresso hipócrita do actual Governo, construído sobre um programa de combate ao insucesso de duas nebulosas vias únicas: ou passam todos ou a culpa é dos professores. Enquanto as escolas não têm dinheiro para pagar a água e a electricidade que consomem. Enquanto o PS, hipocritamente, votou ao lado do PSD e CDS/PP contra os dois projectos de resolução, recomendando a aposentação sem penalização dos docentes com 40 anos de descontos. Enquanto se determina a inclusão em cada turma de vários alunos com necessidades educativas especiais. Enquanto se impõem 30 alunos por turma em escolas que irão receber alunos de colégios onde os contratos de associação foram cancelados. Enquanto, numa palavra, se promove, hipocritamente, o que se censurou aos outros.
in Público, 27/07/2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Bravio em modo de férias




A partir deste momento, e por tempo indeterminado, o Bravio entra em modo de “férias”, embora ainda não saiba lá muito bem o que isso quer dizer. Logo se verá. 

Eu também tenho um estudo



Estudos sobre ensino e educação, há-os para todos os gostos e interesses. Aprecio especialmente aqueles em que o Sr. CNE se baseia para dizer o que lhe convém. São estudos muito ergonómicos e personalizados, como facilmente se depreende. Embora por razões diametralmente opostas, também gostei muito do que foi ontem divulgado — do projeto aQeduto — pois faz “revelações” que vão contra a corrente pseudopedagógica apalermada que está a varrer as escolas do país, de lés a lés: a dos espremedores de professores.
É por esta e por outras que tenho um estudo que jamais dispenso. Ele é a minha religião, o meu credo quotidiano. É só nele que acredito piamente. É o estudo que tenho realizado ao longo de trinta anos de experiência de ensino. Essa contínua avaliação/validação/invalidação da minha prática letiva é a minha terra firme. E confesso que já nem sequer não tenho pachorra para ouvir a verborreia que contraria os mandamentos legitimados por todos esses anos, com carimbo de confiança dos meus alunos. Não posso admitir que alguém, a troco de tretas que apenas visam embaratecer a Escola Pública, me venha dizer “Sim, isso resultou durante três décadas, mas não é assim que se faz!”. Nem preciso de estudos para acreditar naquilo que já sei nem preciso de estudos que me façam largar os pássaros que tenho na mão para ir atrás dos que estão a planar lá nas alturas e nas lonjuras.
Lamento (como lamento!) haver tanta e tanta gente disposta a pôr de lado, de um momento para o outro, todo esse tesouro! É o escancarar das portas à desconsideração, à desautorização e ao desrespeito.

domingo, 24 de julho de 2016

O setor Carlitos vai à formação


Não, não vou falar das ditas ações de “promoção do sucesso escolar”, que são, na verdade, reles lavagens cerebrais. Essas, eu já abordei aqui, em “discurso direto”, ainda nem sequer a procissão ia no adro. O meu objeto de reflexão (breve, porque os fusíveis da pachorra estão nos limites) é a consagrada formação contínua.
 Como é óbvio, sou a favor. Contudo (tenho-o dito com muita frequência) acho muito humilhante o modo como está concebida: aulinhas, presenças registadas quase de hora a hora, trabalhos para apresentar, relatórios… No fim… a Padroeira, a Senhora dos Mártires, a Santa Avaliação. Ela toma conta de tudo: da assiduidade, da pontualidade, da participação nas “aulas”, do trabalho de casa, do espírito crítico (que não convém revelar, se for divergente), das atitudes e valores, do oral e do escrito… Enfim, é a fadinha dos dentes de profissionais que a tutela trata como crianças ou indigentes. Como se tal não bastasse, ainda é feita a desoras, muitas vezes ao sábado e… (também não é raro) a pagantes.
A formação contínua, aquela que é obrigatória e que serve para os professores se manterem atualizados nas diversas áreas da sua ação, para poderem responder competentemente às novas exigências que, diariamente, recaem sobre a Escola, não é o mesmo que fazer uma pós-graduação, um mestrado ou um doutoramento, enfim, obter um grau académico após a conclusão do curso. Isto é outra loiça e carece de outras provas. Para se manter atualizado, hoje, um professor nem sequer precisa dessas ações de formação. Tenho a certeza absoluta de que aprendemos todos muito mais — mas mesmo muito — fora delas. No entanto (admitindo a sua existência como conveniente) deveria bastar frequentá-las para se considerar que o professor aproveitou o seu conteúdo. A não ser que queiramos tratar os docentes — e é o caso — como meninos ou adolescentes que têm de provar que não estiveram desatentos, que ouviram tudo direitinho, que tiraram os devidos apontamentos, que são capazes de replicar o que aprenderam; a não ser que queiramos humilhar, desautorizar, tratar os profissionais da educação e do ensino como adultos destituídos de seriedade, de responsabilidade, de dignidade e de caráter…
Se é para isso, estas ações de formação são perfeitas. Para serem divinais, só lhes falta — digo eu — o teste escrito de avaliação sumativa com o devido espaço destinado à assinatura do encarregado de… direção.

Sabonete Defor-Mação



Anda o professorado, por todo o lado, muito bem ensaboado.
O su… sexo é o nosso fado. 
Defor-Mação é uma Anima São.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A retrete dos professores



Hoje, os Excelentíssimos Senhores Deputados da Nação iam discutir, na Soberaníssima Assembleia da República, o conteúdo da petição da Fenprof a favor de um novo regime de aposentação dos professores. Iam…
PS, PSD e CDS opuseram-se à verdadeira Esquerda e votaram contra as vernaculidades da proposta. Para estes três partidos, a inspiração francesa da atual aposentadoria, para além de estar muito na moda, assenta que nem uma luva no corpinho dos profes: “reforma à la retrete”
CONCLUSÃO — Temos de dar mais votos ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista.

Lua cheia



Entra neste preciso instante (00.59.30h). Eis uma forma divertida de celebrar esse evento: “Blue Moon”, dos Marcels. Pelo menos é melhor do que as músicas alusivas a gado asinino.
Fiquem bem! Eu... vou ali transformar-me em... luisomem.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Parábola do Dominó de Direktors




Certo dia, os Direktors (cyborgs protocolares criados por um ciclope da Tugália), convencidos de que tinham vida própria, decidiram fazer uma peregrinação em direção à Luz, uma coisa amarela que eles adivinhavam num horizonte por desvendar e que, segundo a sua crença (cyborgs com crenças), lhes haveria de conceder também o dom de terem pensamento próprio capaz de filosofar melhor do que os humanos.
Ao cabo de sete anos, sete meses, sete dias e sete noites de cansaço e de secura, o que ia à frente, com um burro mirandês pela trela, viu a Luz. Estacou, abriu a boca de espanto e… após alguns segundos de genuína estupefação, arranjou força suficiente para apontar para lá o indicador da mão que não estava a segurar o burro e balbuciou:
— Alus (tudo pegado e com “s”)!
Num ápice, todos os restantes — uma longa e serpenteante cauda de cyborgs que atravessava as pradarias da Tugália de lés a lés — repetiram o mesmo gesto e o mesmo balbucio, levando a exclamação, de boca em boca, de uma ponta a outra. Contudo, quando, diante da intensa luz, já toda a “direktorada”, arredondando o buraco de falar, se preparava para receber o tão ansiado dom da cognoscibilidade filosofal superior à da humana gente, um fenómeno muito estranho aconteceu: transformaram-se em bonecos de terracota, uma espécie de Guerreiros de Xian, mas sem armas, de braço em riste e dedo indicador embicado para o horizonte luminoso. Era um infindável e sinuoso exército que parecia vir de nenhures, a caminho de nenhures e a apontar para… nenhures.
De repente, o burro achou-se muito estranho ali no meio daquela estranha formatura. Sem sequer pensar na razão pela qual não tinha sido transformado (os burros não chegam a tanto) pensou, contudo, em libertar-se daquela mão de barro que lhe segurava a corda que tinha amarrada à pescoceira. Tentou… tentou… e nada. Não havia maneira de aquele boneco abrir a manápula. Acabou por se passar dos neurónios e desatou aos pinotes, de tal maneira e com tal ênfase que acabou por atingir o boneco que estava imediatamente atrás, provocando um choque em cadeia, acompanhado de um assustador efeito de trovão. Era a bonecada toda, atrás de si, como um interminável dominó, a cair, peça por peça, e a desfazer-se em… terra cota ("tudo separado"), formando aquilo que ao burro, nesse instante, pareceu ser um belo trilho, através da verdejante planura, que o convidava à fruição da sua descoberta.
O jumento decidiu, de imediato, meter patas ao caminho, mas a corda esticada deu-lhe um valente puxão. Voltou-se para trás, encarou o seu antigo dono… porém, o instinto ditou-lhe que baixasse a cabeça e as orelhas. E assim ficou até a Luz lhe acertar diretamente nos olhos. E pensou (o burro pensou):
— Alto lá e para o baile! Eu posso dar-lhe um valente…
Nem teve tempo para acabar o pensamento e já o boneco estava todo desintegrado no meio do chão.
E o burro foi-se à vida, por aquele sendeiro que ia para… algures. 

Comparar o incomparável não é proeza, é asneira



Continuo a assistir, com gigantesca perplexidade, a esta tradicional aberração: comparar classificações dos exames nacionais com níveis atribuídos no terceiro período. Que o cidadão comum o faça, vá lá c’os diabos, mas quando os próprios professores caem nessa patetice… nem sei o que pensar!
A classificação dos exames só pode ser cotejada com a média dos testes. Ponto final. O resto é, para além de estupidez em estado puro, uma tremenda injustiça para os professores. Mas os próprios embarcam nisso, o que é, no mínimo, desolador! Em primeiro lugar, à conta das atitudes e valores, os níveis atribuídos (sejamos realistas) nunca são inferiores às médias dos testes. Na pior das hipóteses, são iguais. Em segundo lugar, tudo (e mais alguma coisa) nas escolas está arquitetado para que os professores inflacionem as notas e passem toda a catraidada. Em terceiro lugar, muitos dos níveis (e em especial os de Português e de Matemática, por serem mais “reprovantes”) são alterados em conselho   determinado número de classificações dos seus alunos, nos exames, são inferiores aos níveis atribuídos (fosse por quem fosse) no terceiro período. Além disso, ainda se pede aos almocreves que apresentem, com a brevidade possível, um plano de contingência. É o reino do absurdo.
Está na moda os diretores desproverem os professores de toda e qualquer autonomia, mesmo a pedagógica. O dogma atual diz que já ninguém é dono das suas aulas: todos os professores são executores de uma superior organização estratégia, concebida em função das superiores metas a que a escola se propôs. Logo, ninguém pode dar as aulas como entende, mas como foi previamente definido. Contudo, quando os resultados não agradam, chama-se os desgraçados à pedra e aponta-se-lhes o dedo inquisidor. Há até quem, à conta de uma diferença de três pontos percentuais relativamente à média nacional do 9.º ano, tenha chamado todos os professores de Português e de Matemática ao Conselho Pedagógico para darem justificações. E os estúpidos foram! 

O prometido é devido



Disse, aqui, que tiraria o chapéu ao ministro da Educação. E tiro, neste preciso momento. Muito bem, Senhor Ministro! Todavia, seja realista nas expectativas relativas ao que pode ser feito com a informação divulgada. Só os anjinhos (e os ignorantes) acreditam em panaceias educativas.  
Promessa cumprida. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Baixa a bolinha!




Seguindo a minha natureza



Creio que já (quase) todos os que me conhecem saberão: sou bravio e arredio. De vez em quando, tento ser gregário, mas acabo sempre por ceder ao apelo da solidão, a minha mais fiel e mais amada companhia. Aconteceu com alguns dos mais respeitados blogues dedicados à Educação. Foi, em todos os casos, uma imensa honra para mim, mas acabei sempre por rumar ao meu ermo.
É provável que uma ideia de inconstância possa ser associada a esta minha conduta. Acredito mesmo que aqueles com quem colaborei tenham, num primeiro instante, acreditado no meu cansaço, na minha desistência, num eventual melindre… Porém, a verdade é só uma: caminhar solitário é a minha natureza, o meu destino. Só muito boas causas e pessoas excecionais, em quem acredito muito, me fazem sair, por algum tempo, desse estado. Porquê?
Em primeiro lugar, contrariamente ao que muitos julgam, tenho-me em pequena conta. Na verdade, ando a dar tudo o que tenho e posso, criando, aqui e ali, a ideia de que tenho posso tanto como aqueles que dão apenas o suficiente, o conveniente, o politicamente correto… O meu problema é não me deter em certos limiares. É, quase sempre, o instinto que me guia. E a partir de certas alturas, quando só vejo abismos por baixo de mim, liberto-me completamente do medo e sigo em frente, absolutamente confortável. Nessas ocasiões, fico totalmente focado no meu alvo e desprezo cegamente as consequências. Irresponsável? Talvez. Admito. Todavia, é por esse motivo que eu procuro ficar só: não quero prejudicar ninguém com os meus atrevimentos (ou com os meus dislates), com o meu lado mais selvagem. Disso… tenho pavor!
Como saberão, assinei, há pouco tempo, juntamente com catorze conhecidos e respeitados bloggers da Educação, um manifesto em defesa da Escola Pública. Pelas razões acima referidas, decidi retomar o meu caminho a solo quando percebi que “o grupo” se preparava para dar continuidade a essa ação. A parte prometida foi cumprida. E nem sequer precisavam de mim para tal, como é óbvio. Foi, por isso, um grande motivo de orgulho para mim. Resta-me, pois, desejar-lhes todo o sucesso do mundo, porque a causa é a mesma. 

domingo, 17 de julho de 2016

Éder Cisne



De onde veio, o percurso que trilhou, o ser humano em que se tornou, o que fez, o que fez nascer em todos nós… PURA POESIA.

Voa, Éderzito!   VOA, ÉDER CISNE!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Terra devia poder chorar




Gennady Tkachenko-Papizh produz todos estes efeitos sonoros apenas com a boca. É algo “do outro mundo”!
Esta composição, intitulada “Sons da Terra”, é particularmente expressiva. Assenta bem, creio eu, no(s) dia(s) miseráveis que estamos a viver. Explico: se a Terra pudesse, estaria a chorar. Como (infelizmente) não pode, choremos nós, seres humanos, de tristeza e de vergonha! 

Je pleure!




quinta-feira, 14 de julho de 2016

O mordomo dos Açores


Se o Lehmon Brothers não tivesse ido à falência...

Ricardo Carisma


Esta é a interpretação que faço da “obra de arte capilar” que Ricardo Quaresma ostentou na final do Euro 2016.

Continuo a homenagear estes rapazes que me fizeram sentir, pela primeira vez, a Pátria na sua plenitude. Sim, só agora a senti, em uníssono, na sua dimensão planetária. Sabia que ela era gigantesca, mas jamais a tinha visto tão viva, tão una, tão… humana.
O que já se intuia durante toda a semana aconteceu no domingo: a lusofonia mostrou que é um só coração, um coração do tamanho da Terra. Em cada sorriso libertado, em cada grito solto, em cada lágrima vertida, o orgulho da História que soubemos fazer, com povos que agora, connosco, dizem “Ganhámos!”. Tantos séculos avaliados nesta simples palavra! GANHÁMOS!
Como nunca, sinto agora essa Pátria imensa a pulsar no meu peito. Nunca, como agora, me senti timorense, macaense, cabo-verdiano, são-tomense, guineense, brasileiro, angolano, moçambicano… e cigano. Sim, orgulho em ter também alma cigana na nossa Pátria. Foi esta Pátria imensa, miscigenada, cosmopolita, que estes jovens resgataram das brumas da História, para nos encheram de grandeza e de orgulho.
Não esqueço: nos jogos de preparação, foi sobretudo a genialidade, a irreverência e a fantasia de Quaresma que nos fizeram começar a acreditar. Ele foi a faúlha que deu vida às palavras premonitórias de Fernando Santos. No Euro, foi o que se viu: RICARDO CARISMA. Quando não estava em campo, estava na nossa ansiedade de o ver entrar e resolver. Com ele em campo, o jogo passava a ser fotografado ao segundo, porque tudo podia acontecer, no bater de asas de uma borboleta. 

           OBRIGADO, "MUSTANG"!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Vai-te embora, abandona o ensino! — 2



O colega e amigo que motivou o artigo “Vai-te embora, abandona o ensino!” é um autêntico lobo: quando não, atira-se sem medir as consequências, não querendo saber de perigos nem de prejuízos pessoais. Puro instinto. É, nesse sentido, completamente selvagem. 

           Quando me permitiu a publicação das reflexões dos seus alunos, eu avisei-o:
— Cuidado, pá, que esse boomerang pode cair-te na cabeça e magoar-te! Tu não levaste uma turma de 9.º ano a exame? Olha que os cachopos podem deixar-te ficar mal! Depois… tens de engolir…
Mas o meu amigo não quis saber. Limitou-se a um frio encolher de ombros sublinhado com uma frase lapidar:  ”Que se f***!”
Enfim, reencontrei hoje o meu bon sauvage. Estava evidentemente frustrado, e tudo por causa dos resultados dos seus alunos no exame.
— Eu bem te avisei! — ataquei, encostando-o à parede, na ponta do meu florete.
Fiquei a saber, logo depois, que toda aquela frustração resultava do facto de a sua turma apenas ter tido média de 70,5%.
— Eles são bons, pá! São mesmo bons! Qualquer outro, no meu lugar, teria feito muito melhor com estes alunos. E não foi pior, porque eu só tive oportunidade de os estragar este ano. Se mos tivessem encaminhado no 7.º ano… nem quero imaginar a desgraça que não seria!
— De facto… tu nunca estás contente, pá! Até contigo és do contra, porra! Tens de te tratar enquanto é tempo! Olha, agora sou eu próprio que te digo: vai-te embora, abandona o ensino, que só andas aqui a chatear e a meter nojo! 

O Bravio divulga (em primeira mão) a estratégia de Didier Deschamps


É com muito orgulho que, após aturada investigação, divulgo o que Didier Deschamps disse aos gauleses, quando se preparavam para defrontar os lusitanos.
Não posso revelar a minha fonte de informação, mas adianto que foi aquela borboleta que poisou na cara do Cristiano. Ia avisá-lo com tempo, mas chegou atrasada, porqu’havia um bouchon de papillons lá no estrado de France

Ganda coq, Didier! 
Ou melhor (como diz o nosso puobo): "Ca galo, Didi!"